Sentada aqui, observando-a com afinco e compaixão, não mais a conheço. Não vejo nada além de fantasmas e uma carcaça sem nenhuma perseverança ou vida. Seus olhos já não têm aquela inocência, aquele encanto pela vida. Sua alma já não tem aquela esperança de boas novas, tampouco fé na humanidade. Com os olhos fundos e sombrios, aquela garota que agora não passa de uma desconhecida para si e para aqueles que a rodeiam, pensa em como escapar do silêncio que escancara verdades e abre feridas. Ela já não sabe a quem se agarrar ou em quê acreditar. Em silêncio, ela chora. Chora por tudo que um dia ela amou, por tudo que um dia a preencheu. Chora pelos amores que teve e que de alguma forma deixou escapar. Chora pelas amizades que pensou um dia ter cativado, mas que não vingaram nem na conveniência. Chora por ter um dia acreditado que ela era especial. Chora porque um dia pensou merecer ser feliz. Chora por todos os momentos, que agora jamais serão presentes. Chora pelos sonhos que deixou morrer. Chora porque em meio a tantas decepções e mentiras, a melhor parte dela morreu.
Então, meu Deus... Tenha piedade dessa alma, que de tanto dar e doar, hoje não tem nada além de pedaços e migalhas. Tenha piedade desse anjo que perdeu suas asas. Tenha piedade porque sozinha ela sabe que não aguenta mais.

